Maria Devoz Noivas
A história da moda está repleta de eufemismos para definir seus criadores e reportar aos registros toda magnitude denotada em suas criações, que sempre formal, além da função de cobrir o corpo, projetaram personalidades e egos.
Se a vaidade refugia-se na moda para justificar seus desvarios e exageros, é nela que o bom gosto encontra sua forma mais clara de manifestação e distingue o vulgar do sensual, o tosco do refinado, o natural do artificial e o comum do mito. Assim, também, as grandes marcas são notórias por predicados imputados a poucos. Mais do que simplesmente trajes, fazem códigos de distinção social e profissional.
A grife Maria Devoz, por ser única em sua proposta de requinte, sofisticação e bom gosto, faz-se notar por construções em tafetás de seda, rendas, zibelinas, gazar e finos tecidos, em sua maioria de origem francesa, que dançam aos movimentos das saias, saltam nos volumes calculados e obedecem às precisas costuras das hábeis mãos, acostumadas as tantas obras-primas criadas sob o signo desta marca.
A moda respira brevidade e efemeridade, mas a alta costura precisa ser permanente em si. Vejo nas linhas das criações marca Maria Devoz uma clara coerência que segue o estilo e a ideologia do belo. Percebe-se que os traços evoluíram nas formas e volume, mas fica a essência da alma criadora, que há 55 anos deu suas primeiras agulhadas afim de realizar o sonho de suas noivas. Maria Devoz, descendente de franceses e apaixonada pela arte de fazer noivas, emprestou o próprio nome ao ateliê que dirigiu até transferir a responsabilidade para sua filha, Suzy Devoz.
O clássico repousa na história da Maria Devoz Noivas, que está em Uberlândia (MG) há 24 anos, em um espaço de arquitetura colonial e de decoração rica aos olhos, fiel ao do estilo ateliê, que recebe suas noivas ao melhor estilo mineiro de bem-receber.